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Elogio Literário

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Elogio Literário

24
Mai20

Breve Estudo sobre René Descartes

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O racionalismo é uma corrente filosófica que nasceu no século XVII que permitiu à razão superar a experiência sensível, conferindo-lhe autonomia, garantindo-se como um princípio fundamental do saber. Para os racionalistas, os nossos conhecimentos verdadeiros derivam da razão. René Descartes distingue-se como o primeiro filósofo a aplicar os conceitos racionalistas, defendendo através do seu “método”, que a razão é única, conseguindo distinguir o que é verdadeiro daquilo que é falso. Para Descartes a intuição – percepções imediatas de conceitos simples, e a dedução – sucessão de intuições das naturezas simples e das conexões que estas geram, são os dois modelos que permitem alcançar o conhecimento verdadeiro. O “método” de Descartes deu então início ao pensamento moderno através da constante dúvida sobre a realidade. No pensamento do filósofo francês a busca da verdade absolutamente certa deve, em primeiro lugar, suprimir todas as dúvidas, ou seja, duvidando, o homem consegue encontrar caminho para as certezas, ao eliminar as incertezas geradas pela própria dúvida. A dúvida metódica pode ser interpretada através das falácias dos sentidos - provocadas pela indução ao erro que os sentidos conduzem, da indistinção entre a vigília e o sonho – acrescentando a dúvida se aquilo que vemos é real ou não, o que depende sempre da interpretação pessoal do indivíduo e da dúvida através de um “espírito maligno” - da eventualidade de que toda a interpretação da realidade seja obra de um grande equívoco. A dúvida metódica serve assim para desconstruir a realidade tal como é conhecida, e permite ao filósofo chegar à primeira grande verdade absoluta: de que o homem pensa e, por pensar existe, porque pensou. A sua célebre máxima “penso, logo existo” atribui a primeira certeza totalmente clara e distinta ao conhecimento, fazendo com que todas as certezas que forem tão percetíveis como esta se assumam também elas verdadeiras. Portanto, o indivíduo através do pensamento pensa sempre ideias e estas assumem-se como adventícias, as que parecem aparecer da experiência externa (“oceano”, ”mulher” ou ”cor”), como ideias factícias, que se constroem através de outras ideias já existentes (a ideia de um cão com três cabeças) ou como ideias inatas, fundamentais ao racionalismo, que sugerem todas as ideias que o conhecimento encerra por si mesmo (“pensamento” ou “existência”). Partindo do raciocínio baseado nas ideias, Descartes identifica a existência de Deus, associando-o à ideia de infinito, concluindo esta ideia como inata, pois o homem, como ser pensante, imediatamente entende a finitude. Em suma, a realidade para o filósofo francês é estruturada a partir de Deus, como substância infinita, no “Eu” (que pensa), como substância pensante e nos “corpos” como substância extensa, sendo estas substâncias caracterizadas como algo que tem existência e que não necessita de mais nada para existir. O racionalismo trouxe assim um fundamental contributo para a evolução dos trabalhos científicos.

Por: Bruno Rosa Gonçalves

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