Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Elogio Literário

Procura o elogio gratuito a várias expressões de Arte. Numa época tão dada a críticas, aqui só se pretende elogiar...

Procura o elogio gratuito a várias expressões de Arte. Numa época tão dada a críticas, aqui só se pretende elogiar...

Elogio Literário

11
Jun20

Breve Estudo sobre Immanuel Kant

imanuelkant.jpg

No século XVIII desenvolve-se o movimento iluminista que, seguindo os princípios do racionalismo, visa a aprofundar os conhecimentos da razão. Immanuel Kant aparece como um dos principais filósofos desse período e o seu pensamento é motivado pelo quadro específico da sua época, onde existia a necessidade de encontrar clareza para os problemas da sociedade e do homem. O filósofo alemão exige que se aplique um julgamento da razão, tendo como finalidade ultrapassar o dogmatismo racionalista, ou seja, a autossuficiência da razão sobre a experiência, o positivismo empirista, numa prática de minimizar o pensamento à interpretação sensorial, e do irracionalismo, entendido como a nega da razão, numa ilusão levada através da fé mística e subjectiva.

Na sua obra mais proeminente “Crítica da Razão Pura”, Kant assume a posição idealista, divergindo com o racionalismo e com o empirismo, coloca o homem no centro do pensamento e não a substância. Esta posição faz com que a razão ultrapasse os limites da experiência e se submeta aos seus próprios limites, na procura do incondicionado – estado que permite aumentar o conhecimento. A “razão pura” significa assim a essência da razão a partir do estudo de si mesma. Para Kant a filosofia devia responder a três questões essenciais para que a razão encontre os conhecimentos fundamentais de motivação humana: “que posso conhecer?”, “que devo fazer?” e “que me é permitido esperar?”. A primeira questão pertence ao juízo metafísico, que identifica os limites que permitem espaço para a desenvoltura do conhecimento científico. A segunda questão transporta a filosofia para a esfera moral, define qual a acção a tomar e quais são as condições que envolvem o conceito de liberdade. A última questão possibilita entender a religião, alude à definição do homem e ao seu destino. Toda a concepção idealista permite defender as ideias inatas do homem, aquelas que não se colocam em causa, nascidas da intuição. Kant caracteriza esta ideias como conhecimentos a priori, aqueles que tornam possível a experiência, sendo anteriores à mesma. A filosofia do alemão estabelece assim três ideias da razão: Deus, a alma e o mundo, e apesar de não acrescentarem conhecimento objectivo fazem com que o ser humano nunca encontre o horizonte, mas que se motive na sua procura e que avance no conhecimento da verdade. Esta concepção idealista contribui para o homem evoluir no que respeita à sua posição no mundo, “abraçando” uma posição humanista perante a sociedade, além disso, o repto a partir da perspectiva do horizonte não alcançado, contribui para a posição do homem na pesquisa continuada de algo, num confronto constante com os limites da razão.

Immanuel Kant definiu a Aufklarung como sendo “a saída do homem da sua menoridade”, e acusou o próprio homem de ser o responsável dessa inércia. A menoridade baseia-se, portanto, na incapacidade de se servir do próprio entendimento, preferindo o dos outros sem o questionar. A Aufklarung traduz-se como “esclarecimento” e procura a independência da razão dentro dos limites da natureza. O esclarecimento da razão inspirou a época iluminista na procura de superar os preconceitos paralisantes da razão, opondo-se à tradição que suportava o passado e condicionava a liberdade da percepção, criticando a autoridade externa à razão e ainda todo o tipo de princípio supersticioso e idólatra. Nesta perspectiva a razão esclarecida assume-se como tolerante, rejeitando os métodos pouco racionais de interpretação que até aí, ou seja, até ao iluminismo, descreviam a vida e a realidade. Sob o ponto de vista da fé e da religião a razão assume-se como secular, o que vem permitir uma visão “fisiocentrista”, tendo a natureza como referência e elemento central em oposição ao “teocentrismo” que colocava Deus como o princípio máximo da origem do mundo. Tal como Hegel escreveu “o princípio do iluminismo é a soberania da razão, a exclusão de toda a autoridade”, tendo por base três temas principais: o domínio da natureza física e do conhecimento, a religião e o seu sentido de fé e a organização social e histórica.

Por: Bruno Rosa Gonçalves