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Elogio Literário

Procura o elogio gratuito a várias expressões de Arte. Numa época tão dada a críticas, aqui só se pretende elogiar...

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Elogio Literário

01
Mai20

Breve Estudo sobre Filosofia

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Inicialmente o homem recorreu ao Mito para explicar as origens do mundo. Mito é um conjunto de narrativas e doutrinas tradicionais dos poetas, que narram o mundo, o homem e os deuses. O surgimento do mito ofereceu segurança e conforto às sociedades da antiguidade, tornando-as esclarecidas acerca do porquê das coisas. Essa consciência materializava-se numa atitude intelectual, que procurava exaltar as forças naturais, tais como, ar, água ou o fogo, em elementos de ordem divina e em atribuir à vontade dos deuses todos os fenómenos e acontecimentos do universo. Nesta época surgem narrativas que procuram explicar o nascimento e a organização do mundo a partir de forças geradoras – cosmogonia, e, narrativas que estudam a origem dos deuses a partir dos seus antepassados – teogonias. Homero e Hesíodo, nas suas obras, “Odisseia” e “Teogonia”, respectivamente, atribuem aos deuses características humanas, sujeitando-os a paixões e sentimentos, oferecendo uma certa imperfeição a toda a sua dimensão mítica. Neste sentido, outros pensadores questionaram essas mesmas explicações, indo em busca de outras respostas. Estas narrativas alimentavam as culturas e surgem como base para o pensamento filosófico.

Quando o mito é substituído pela explicação racional, surge o nascimento da filosofia. O logos é a razão que substitui o mito, suplantando a ideia de arbitrariedade, pela ideia de necessidade, onde se entende que as coisas acontecem quando tem de acontecer. O logos que, surge inicialmente através do filósofo Heráclito e depois é seguido por outros, agrava a racionalidade implicada na relação de causa e efeito das coisas. Com isto, consegue explicar a natureza - physis dentro da própria natureza, ou seja, o mundo para estes filósofos, pode ser explicado a partir de uma única substância básica, que cria tudo o resto – arque. Arquesignifica assim o princípio de tudo, investigado pelos filósofos pré-socráticos que procuraram essa explicação, observando a physis e lá encontrando a matéria-prima criadora de tudo o que existe. Os filósofos desta época reforçam a ideia de arque, para Tales de Mileto, a água era o princípio fundador, para Anaximandro era o ápeiron – quantidade infinita de matéria, Anaxímenes, julgava ser o ar, para Heráclito era o fogo e para Pitágoras o número. Todos estes filósofos abrem o caminho da ciência, uma vez que especulam sobre a realidade tentando colocar uma lógica na descoberta do mundo. A passagem do mito ao logos permitiu a explicação da realidade em toda a sua complexidade, desde o universo físico à natureza individual do homem e da sua convivência social.

Por volta do século V (a.c.) até fins do século IV (a.c.), Atenas era o centro da cultura grega, sendo esta dominada pelo pensamento sofista. Os sofistas faziam profissão da sabedoria e ensinavam-na mediante uma remuneração, a base de ensinamento era a retórica, ou seja, a arte de persuadir, orientando a sua reflexão para o homem, para a virtude e para o seu destino iniciava-se assim um novo período da filosofia grega, o chamado período antropológico, dominado pelo problema de persuadir a unidade do homem em si mesmo e com os outros homens. Sócrates contrapõe a teoria sofista, apresentando-se como ignorante, tendo neste reconhecimento a atitude certa para alcançar sabedoria. Diz Sócrates, que só quem reconhece a sua ignorância está disponível adquirir conhecimento, pois ainda não sabe e, por não saber, vai procurar, pesquisando e interrogando o mundo. Este reconhecimento leva o homem a investigar-se a si mesmo, levando-o à percepção dos seus limites e a tornar-se justo, sendo assim solidário com os outros. Esta relação entre os indivíduos, tendo em conta a liberdade de cada um para se conhecer a si próprio, é baseada na virtude e na justiça. Para Sócrates, através do raciocínio indutivo, isto é, do exame realizado a certas afirmações particulares, somos conduzidos ao conceito. O conceito, por sua vez, exprime a essência de algo em particular, aquilo que esse algo é em verdade. Este raciocínio entra no campo da ciência, que, para Sócrates é a investigação racionalmente conduzida. Ora, aproveitando esta base filosófica, os trabalhos posteriores de Platão e Aristóteles procuram responder ao quê que é a substância e a essência, iniciando um novo período filosófico denominado por período ontológico. O pensamento platónico assenta na teoria das ideias: dividindo o mundo em duas partes diferentes, o mundo inteligível, onda habita conceitos como a verdade, a razão, a lógica ou a inteligência, e o mundo sensível, ocupado pelos olhos, pela cor ou pelas luzes. Para Platão só o mundo inteligível é real, o sensível, por sua vez, apresenta-se como transitório e ilusório. Na “Alegoria da Caverna”, o filósofo descreve que o homem, a fim de conhecer a realidade, e, não viver apenas de sombras (realidade aparente, revelada pelo mundo sensível), deverá sair da caverna onde habita conhecendo o mundo exterior (inteligível, esboço da realidade). Depois de conhecer essa realidade imaterial, a função do homem será voltar à caverna (comunidade) e explicar o que observou. O ensinamento platónico manifesta-se através da dialéctica, que consiste no diálogo da alma consigo mesma, desenvolvendo-se através da investigação racional, princípio que a humanidade deve aspirar. A filosofia de Aristóteles rejeita a ideia de dois mundos distintos. Para ele, o homem conhece apenas o que os sentidos lhe mostram, a realidade é o que existe no mundo onde vivemos, tudo o que não existe nesse mundo não vale a pena ser conhecido, pois não pode ser vivido. Portanto, a felicidade deveria ser alcançada através da contemplação da natureza. Aristóteles interpretava assim o conhecimento como sendo realista em contraste com a visão platónica que o descrevia como idealista. Actualmente, a política que é vivida em países democráticos pode ser vista como sendo aristotélica, tendo em conta que, o filósofo defendia que qualquer cidadão livre se podia dedicar à actividade política, visão contrária à de Platão ao qual achava que, para se ser político era necessário um estudo contínuo, devendo existir uma dedicação à filosofia. A visão platónica explora o conhecimento e, ao mesmo tempo, estrutura o seu próprio caminho, fazendo que a partir de um ponto ‘A’ alcancemos o ponto ‘B’, a partir da busca de condições que nos façam chegar a esse objectivo. Chegamos ao ponto pretendido através desse trabalho que se revela o conhecimento. Esta visão é a matriz das sociedades modernas em busca de objectivos e novos caminhos.

Com a queda do Império Romano a filosofia entrou no período religioso, dominado pelo problema do homem em encontrar a via de reunião com deus, a fim de alcançar a salvação. A época medieval é profundamente religiosa, onde a teologia é a principal ciência e o movimento filosófico existente é o cristianismo, onde existem dogmas, isto é, crenças ou doutrinas fundamentais e indiscutíveis que, na ortodoxia cristã, significam a verdade. Crença essa, que cada um dos seus seguidores deve assumir. Num primeiro período da Idade Média, aparece Santo Agostinho, considerado como o primeiro filósofo cristão. Através da influência do pensamento platónico admite que as ideias filosóficas são reveladas por deus e são inquestionáveis (dogma), a partir destas ideias, abre-se o caminho para a distinção entre verdades reveladas (fé) e verdades humanas (razão). Para ele, a fé é dominante em relação à razão pois deus está acima de qualquer coisa. Séculos mais tarde (mais concretamente no século XII), com o aparecimento de obras de Aristóteles trazidas para o ocidente através dos árabes, abre-se caminho para a escolástica – escolas medievais, onde a filosofia era ensinada em seminários católicos. Na escolástica a razão ajuda a compreender a fé, através da interpretação da natureza. A experiência surge como uma forma segura de garantir o conhecimento. O filósofo mais influente deste período foi Tomás de Aquino que admitiu não existir contradição entre a fé e a razão, fazendo assim que a filosofia e a teologia se fundam no seu caminho para se chegar a deus. Durante a filosofia escolástica os cristãos formaram a estrutura mental dos seus conceitos tendo por base os silogismos aristotélicos, que permitiam assumir uma lógica perfeita através interpretação de duas premissas que nos levaria a uma conclusão.

Por: Bruno Rosa Gonçalves